Estudo em Papua Nova Guiné coloca em causa a teoria da “universalidade”

Há uma semana, li um artigo sobre um estudo realizado por uma equipa de investigadores da Universidade Autónoma de Madrid, em Espanha, que descobriu que afinal, existe um povo da Papua Nova Guiné que não associa um sorriso à sensação de alegria. O estudo teve grande repercussão internacional, uma vez que, segundo a notícia, “a comunidade científica sempre acreditou que as expressões faciais associadas às emoções não eram determinadas pela cultura em que se vive mas sim pela origem biológica e são universais (de acordo a teoria de Paul Ekman).”

Quando essa equipa investigou a comunidade das ilhas Trobriand descobriram que não é verdade. Aqui onde a internet e a massificação ainda não teve lugar, apenas 58% dos participantes associaram o sorriso à alegria, enquanto 46% ligou à tristeza, 31% com o medo, 25% no nojo e 7% na raiva. E mesmo em uma das aldeias o sorriso é interpretado como um convite social de atração. Ao contrário, “na capital espanhola, a maioria dos participantes agruparam as emoções básicas com as suas supostas expressões faciais universais.”

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O interessante deste estudo é que corrobora três fundamentos que transmitimos na MORE Humanistic Methodology:

  1.  cada pessoa é única e consequentemente tem a sua própria maneira de expressar as suas emoções;
  2. por detrás de cada emoção há um significado que somente o próprio pode  responder o que é – ao ter contacto com a emoção e se tornar cônscio disso;
  3. há uma tendência de querer universalizar, massificar o ser humano, deixando que cada ser humano seja considerado um ser singular.

Os resultados de Madrid mostram assustadoramente isso – não só a massificação, que vai fazendo com que a cultura local desapareça, como também traduz em imitação, e ao imitar o outro, deixa ser você, único, para ser mais um que desaparece no meio na massa.

Esta é uma necessidade humana de simplificar para dominar, ter um sentimento de controlo – que afinal dominamos ilusoriamente a nossa própria espécie.

Bibliografia:

Afinal, sorrir pode não ser um sinónimo de alegria universal


https://elpais.com/elpais/2016/08/18/ciencia/1471521949_375799.html

 

 

© MORE Institut Ltd.
Autora: Karina M. Kimmig, Humanistic Coach Master Trainer-IHCOS®, Master Trainer PNL,
Presidente da IHCOS, IN, ICI, Vice-Presidente da ECA.
Em MOREletter, 21.09. 2016