O dinheiro só por si tem algum valor? Então qual é o verdadeiro valor do dinheiro?

O dinheiro governa o mundo. O dinheiro significa sucesso. O dinheiro faz-nos sexy. Quem tem dinheiro, tem poder. Quem tem muito dinheiro, é rico. O dinheiro atrai. Que fantástico, eu também o quero!

Olhemos para a antiguidade, quando em muitas cidades da Europa o dinheiro se chamava “Gulden”. “Gulden” é um arcaísmo que significa “moeda de ouro”. Nessa época, o dinheiro tinha um valor próprio. As moedas eram cunhadas em metais caros e cobiçados, tais como o ouro e a prata, o que facilitava em muito o comércio e a compra de bens ou serviços, dado que com a moeda em ouro podiam comprar-se batatas ou um fato no alfaiate. No fundo, continuava a tratar-se de uma economia de troca direta ou permuta – trocava-se um valor por outro valor.

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E como é que tudo se processa na atualidade? Nós utilizamos pequenos cartões de plástico, que custam apenas alguns cêntimos e com um custo ainda inferior, o dinheiro em papel impresso a cores, para comprarmos ou vendermos bens ou serviços. O valor próprio do dinheiro da antiguidade desapareceu. Ao invés disso, hoje lidamos com título de dívida. Um pedaço de papel que confere ao seu proprietário o direito de adquirir algo pelo valor nele impresso. A nota de 50 por euros por exemplo, na minha mão não vale sequer 10 cêntimos, mas dá-me o direito de comprar algo com um valor real muito superior, por exemplo um anel de prata.

Contudo, isto só funciona enquanto alguém estiver disposto a ficar com esse meu pedaço de papel. Se eu for com o papel de 50 euros para um país com outra moeda, terei de contar com a possibilidade de lá não me venderem nada. Para o vendedor nesse local, o meu papel não terá qualquer valor. Você conhece o problema, pelo que troca a nota de euros atempadamente num banco por uma moeda que seja utilizada no destino da sua viagem. Mas existe ainda uma outra situação, que é o pesadelo de nações inteiras – a hiperinflação. De um dia para o outro, a nota perde totalmente o seu valor e, em poucos dias, a nota de 50 euros já não tem qualquer valor. Como é que isso é possível? A nota constitui uma promessa de dívida e se ninguém resgatar essa promessa de dívida, ela perde o valor.

Muitas pessoas correm atrás do dinheiro com todos os meios, sucumbindo assim à ilusão de estabilidade. Como se tal não bastasse, o dinheiro ainda tem de trabalhar, render juros e tornar-se numa fortuna. Tempos houve em que se anunciavam rendimentos de 20%, ou seja, em cinco anos, ter-se-ia o dobro do dinheiro. Em vez de depositar o meu dinheiro no banco, compro uma mesa. Levo-a para a cave e espero cinco anos. Volto então à cave e trago de lá duas mesas. Durante esse tempo, é suposto a mesa ter-se multiplicado por dois. Em minha casa isso nunca funciona, mas com o dinheiro no banco, sim. Será que o banco tem replicadores? As notas bancárias são porém título de dívida, que alguém terá de resgatar. Isto é, após cinco anos alguém terá de fazer o dobro para saldar a dívida. Quem é que faz esse trabalho e para onde é que ele vai?

Na Natureza, existem alguns princípios, comprovados há milénios. Um deles é que dar e receber está em constante equilíbrio. Quando um corretor de bolsa com 30 anos recebe um bónus de milhões e um reformado com 70 anos, após cinquenta anos de trabalho duro, não tem dinheiro suficiente para a sua vida diária, onde é que está o equilíbrio? Um outro princípio da Natureza é o de que nada dura para sempre. Tudo acaba por se degradar. Se hoje eu colho framboesas ou cerejas frescas, daqui por alguns dias elas acabam por apodrecer. Certo tipo de maçãs pode ser guardado durante alguns meses e cereais de boa qualidade podem até durar alguns anos. Até mesmo uma casa ficará em ruínas, se não tratarmos da sua manutenção. Só com o dinheiro é que tudo é diferente. Ele multiplica-se de forma milagrosa e nunca se degrada. Na escola, ensinaram-nos que podemos multiplicar zero por qualquer valor. Qual é o resultado?

Devíamos olhar mais vezes para a Mãe Natureza e ver como ela organiza seus bens. Ao contrário das pessoas, a Natureza tem sempre razão.

© MORE Institut Ltd.

Autor: Fridolin Kimmig,
Co-fundador da MORE Institut Internacional,
Executive e Life Coach, Master Trainer em PNL e Coaching.
Publicada na Revista Zen – Maio 2013

1 Comment
  1. Olá Fridolin
    Ouviste os meus pensamentos?
    Comecei à pouco tempo a estudar sobre o que Eu chamei de Economia Ética e o que já está a ser feito nesta área. Há uma serir de projectos e visões e recomendo um livro que li há pouco e que tem o conceito de “consciencia sistémica” – começando individualmente, nas nossas escolhas podemos optar entre fomentar o consumo de bens em que na cadeia temos custos sociais não incluidos no preço e que podem ser incomportáveis ou ser mais selectivos e atentos consumindo menos e mais exigentes com a origem e os métodos.
    De facto o objectivo de maximização do lucro não é o único possivel e numa Economia Win Win esse seria totalmente colocado em causa. Vamos trabalhar para que esse cenário em que todos ficam a ganhar seja possivel.
    Temos também algumas correntes de pensadores que sugeriram alternativas Rudolf Steiner, Shumaker College, entre outros. Seria bom recuperarmos estas teorias e percebermos como colocálas em prática.
    Abraço enorme e extramente inspirador este artigo.
    Tudo de bom
    Mafalda

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