De onde vieram essas Tradições?

Começa a época natalícia e estamos nós às voltas com os enfeites para o Pinheiro de Natal, a colocar as meias ou os sapatinhos na lareira, talvez a montar a casinha de gengibre de Hansel e Gretel (ou João e Maria), para compor a decoração, e aproveitar uma ida ao Mercado de Natal com os amigos. Mas de onde vieram esses e outros costumes de Natal?

Weihnachtsmarkt – Mercado de Natal

O Weihnachtsmarkt ou Adventsmarkt tem a sua origem no final da Idade Média, em muitas partes do antigo Sacro Império Romano-Germânico e nos países em que a falavam a língua alemã. Os Mercados de Natal eram feiras de vendas medievais tardias, que iriam suprir as necessidades de carne no Inverno. Em 1310 é mencionado em documento, pela primeira vez, um Nikolausmarkt, em Munique, tendo registos posteriores mostrado que a ideia se espalhou para outras cidades da Alemanha.

Adventskalender – O Calendário do Advento

De acordo aos registos históricos, o Calendário do Advento teve a sua origem com os luteranos, na Alemanha, como forma de realizarem a contagem regressiva para o dia da Véspera de Natal. Havia vários tipos de calendários, como pendurarem 24 imagens na parede, traçar 24 linhas de giz na parede ou na porta, na qual as crianças podiam limpar uma linha todos os dias, ser queimada uma vela diariamente até a véspera de Natal, e nas famílias católicas, uma palha era colocada a cada dia na manjedoura do presépio. O Calendário do Advento moderno teve a sua criação pelo alemão Gerhard Lang, no início do século XX. Esse era um calendário de recortes com 24 pequenos poemas escritos por Gerhard Lang, em caixas, que correspondiam a 24 figuras que eram recortadas e coladas na folha. Nas duas décadas seguintes, o criador do Calendário do Advento investiu em variantes com chocolate, com portas que podiam ser abertas, com anjos de encaixe, entre outras criações.

Weihnachtsbaum – Árvore de Natal

No artigo que escrevi em 2017 referi que São Bonifácio (680-754), evangelizador da Alemanha, para integrar a celebração pagã ao nascimento de Frey, realizada em Dezembro, em que adornavam uma árvore perene, símbolo da árvore do Universo, tomou um pinheiro e o decorou com maçãs e velas. As maçãs simbolizavam o pecado original e as tentações (Adão e Eva), enquanto as velas representavam a luz de Jesus Cristo, como a luz do mundo. Por isso, as primeiras árvores de Natal foram referidas como “paraísos”. Posteriormente conta-se que em 1530, Martinho Lutero, inspirado pela beleza dos pinheiros cobertos de neve e as estrelas do céu, reproduziu aos seus familiares a cena que lhe havia impactado no seu passeio pela natureza, enfeitado o pinheiro com galhos de árvore, estrelas, algodão, velas acesas e outros enfeites. Hoje, o Pinheiro de Natal enfeita milhares de casas, empresas e ruas pelo mundo inteiro!

Glasschmuck – Enfeite de Vidro

Nos meados do século XIX, na cidade de Turíngia, Alemanha, “nasciam” as decorações de vidro para as árvores de Natal. Segundo a lenda, o pobre soprador de vidro de Lauscha (cidade que surgiu devido a indústria de vidro e enfeites de natal) não tinha como comprar as nozes e as maçãs para a sua árvore de natal, devido ao seu elevado valor, tendo resolvido inflar garrafas, feitas para óleos essências, com a ideia de fazer bolas de vidro. A ideia deu certo, pois até hoje as bolas são uma das decorações mais usadas de natal.

Lebkuchenhäuschen – Casa de Gengibre

A Lebkuchenhäuschen, “casa de gengibre”, ou “Hexenhaus”, casa das bruxas, remonta ao conto de fadas dos irmãos Grimm, Hänsel und Gretel (em português “Hansel e Gretel” ou “João e Maria”). Após a publicação do livro na Alemanha, tornou-se popular fazer casas de gengibre com decorações feitas com glacê. A casa é feita de uma massa de bolacha denominada Lebkuchen (em português pão de mel, pão de gengibre, ou pão de especiarias), que é um doce antigo com registos históricos que remontam o uso dessa palavra no século XIII.

Nikolausstrumpf – As meias de Natal

As meias de Natal derivam do dia 6 de dezembro, Dia de São Nicolau, que de certa forma está relacionado com o conhecido papai noel/pai natal. No artigo Por que Celebramos o Natal? pode encontrar em detalhe as origens do velhinho que alegra o natal das crianças. O costume é colocar os sapatos à porta ou as meias penduradas na lareira, e se a criança comportou-se bem durante o ano, São Nicolau irá encher a meia (ou o sapatinho) de doces. São Nicolau costuma andar acompanhado de Pedro Preto, seu ajudante, que verifica o comportamento das crianças e também distribui os doces. Mas para assustar e punir as crianças mal comportadas, ele tem como companhia Krampus, uma criatura mitológica e assustadora, que as leva repensar sobre a sua conduta.

Curta com a sua família, partilhe com amigos essas as tradições e um Feliz Natal!

Autoria: Karina M. Kimmig

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© MORE Institute GmbH Karina M. Kimmig, Autora do livro: Metodologia Humanística- Os 7 Poderes que todos Nós Possuímos. Humanistic Professional Master Trainer-IHCOS® Presidente internacional da IHCOS Vice-Presidente da ECA Portugal Presidente ECA Brasil 21.12.2019

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