A Felicidade que nos faz Infeliz!

 

«A felicidade nasce da infelicidade; a infelicidade está escondida no seio da felicidade.»
Lao-Tsé

 

O que é Felicidade? O que é ser Feliz? Felicidade, segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa, é o “concurso de circunstâncias que causam ventura”, e “ventura” por sua vez é entendida como sorte, felicidade. Definição abstrata, não é verdade? Mas, a abstração advém da dificuldade em definir felicidade.

A filosofia e a religião se dedicaram, durante séculos, em entender a natureza da felicidade. Os antigos gregos a denominavam eudaimonia, eu (εὖ) e daimon (δαίμων), “estar sob o poder de um bom daimon (divindade, espírito) ”, cujo significado conduziu o sentido que a palavra adquiriu posteriormente de “felicidade” . Numa altura que o descontentamento dos deuses para com os mortais, poderia se traduzir no envio de uma catástrofe natural, eudaimonia, era uma palavra bem aplicada. Com o advento do cristianismo, a felicidade passou a ser algo a ser vivenciado na salvação. A exortação ao sofrimento e sacrifício terreno, como a via de evitar o inferno para vivenciar a felicidade no céu, tornou-se o objetivo do Homem. As palavras de Santo Agostinho são bem elucidativas deste facto – “viver em plena felicidade não é próprio desta vida mortal. Só o será quando aparecer a imortalidade… Sem a imortalidade não existe felicidade.”

No entanto, a revolução industrial, torna-se num ponto de viragem, no que diz respeito a conquista da felicidade. Diferentes áreas desenvolveram-se, produção, agricultura, saúde, transporte, comunicação, mostrando que o Homem detinha o poder de melhorar o futuro da sociedade. O hedonismo (do grego hedonê ou prazer como supremo bem da vida humana) ressurge, e pelas mãos do utilitarismo, passa a ser entendido que toda ação deve ser direcionada para alcançar a maior quantidade total de felicidade, para todas as pessoas. Ao longo do século XX, o foco capitalista de nos tornar bons consumidores, conduz a uma propaganda em que a felicidade é um dever, o surgimento do crédito em troca do adiamento da gratificação, a ascensão do individualismo impulsiona a força hedónica – procure o prazer e fuja da dor, torna-se o lema. A satisfação imediata tornou-se normal, a frustração tornou-se intolerável, e como sou responsável pela minha felicidade, deu-se a expansão de serviços que prometem a sua felicidade imediata na terra, como ostentar joias, roupas de marcas, fazer cirurgias estéticas, e também os livros e serviços de autoajuda. Afinal, quem é que deseja sofrer?

Nas ações e livros de autoajuda, a felicidade aparece como um projeto de vida, um life style, algo facilmente atingível, em que basta seguir uma fórmula, um conjunto de passos, pensar positivo, sim sala bim, plim plim…qualquer um pode ser feliz. Nesse culto à felicidade, foi disseminada a ideia que temos o dever de ser felizes, já que temos uma infinidade de opções para esse empreendimento, e que mostremos nossa felicidade por toda parte. Então, porquê há tanta gente infeliz e insatisfeita no mundo? Porquê a depressão será a doença mais incapacitante em todo o mundo, até 2020 (fonte: Organização Mundial de Saúde)?

Ironicamente, o lado mais obscuro dessa moeda de troca, é que prazer imediato trouxe no seu ventre a angústia e ansiedade, poder mostrar o quão belo somos, as fotos de casais sempre felizes, ou ter o melhor carro, incentivou a comparação e competição, que traz no seu seio a frustração, e esses ingredientes face a felicidade a todo custo, levam a que facilmente se encontre no beco sem saída da depressão.

Portanto, fórmulas mágicas não existem. Na minha longa jornada a trabalhar com o ser humano, e no meu próprio caminho de desenvolvimento de consciência, é importante não se cair em algumas falácias do “culto” da autoajuda, que prometem como todo o chá milagroso, uma cura imediata. Reuni 6 principais falácias da autoajuda, que são parte da próxima MOREletter, como a falácia da fórmula da felicidade, falácia do pensamento positivo, falácia do controlo, entre outras, que o levará a compreender ainda melhor este tema. Até lá convido-o a refletir – Qual sua definição de felicidade?

Autoria: Karina M. Kimmig

P.S: As 6 Principais Falácias da Autoajuda virá na MOREletter de Agosto.
Aproveito a convidá-lo:

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© MORE Institute GmbH.
Autora dos 7 Poderes para se Tornar o seu Próprio Mestre: Karina M. Kimmig
Humanistic Coach Master Trainer-IHCOS®
Presidente internacional da IHCOS, Vice-Presidente da ECA, Embaixadora da ICI e IN
Em MOREletter, 10.07. 2018